Fatores indicativos para estudo anatomopatológico da placenta em uma maternidade-escola brasileira
Resumo
A placenta é essencial para a nutrição e a proteção do feto durante a gestação. Alterações patológicas nessa estrutura podem comprometer seu funcionamento e afetar o desenvolvimento e a vida intrauterina. Compreender essas alterações e suas relações com as condições gestacionais é fundamental para o manejo de complicações maternas e fetais. Este estudo teve como objetivo identificar e descrever as indicações para o exame anatomopatológico da placenta em uma maternidade-escola, além de analisar seus aspectos morfológicos e correlacioná-los com o perfil epidemiológico, os antecedentes obstétricos, as comorbidades maternas, as características da gestação atual e as condições do feto ou recém-nascido. Trata-se de um estudo observacional, transversal, baseado na análise de 184 laudos anatomopatológicos de placentas e respectivos prontuários de gestantes, no período de 2018 a 2022. As principais indicações para o exame foram diabetes mellitus e hipertensão arterial, associadas à prematuridade e a alterações morfológicas, como decíduite, infartos e amadurecimento vilositário acelerado. A baixa taxa de encaminhamento de placentas para exame anatomopatológico (0,92%) e a ausência de um protocolo formal para a avaliação sistemática da placenta reforçam a limitada familiaridade das equipes assistenciais com esse procedimento, bem como o desconhecimento acerca do impacto da análise placentária no esclarecimento de morbidades neonatais e na qualificação do cuidado perinatal.
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