Qualidade de Vida e Perfil Clínico de Idosos com DCNTs
Influência da Atividade Física
Resumo
O envelhecimento populacional se associa ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), exigindo estratégias que minimizem o impacto dessas patologias na funcionalidade senescente. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil clínico e analisar a qualidade de vida (QV) de idosos com DCNTs, comparando indivíduos praticantes (P1) e não praticantes (P0) de atividade física. Realizou-se estudo transversal, descritivo e quantitativo com 68 idosos. A coleta de dados utilizou instrumentos de caracterização clínica e questionários validados de QV. A análise estatística empregou métodos descritivos e inferenciais para a comparação de variáveis independentes. Os resultados demonstraram que o grupo P1 apresentou escores de QV estatisticamente superiores em todos os domínios estudados (físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente) e nas percepções globais de saúde (p<0,0001) em relação ao P0. No perfil clínico, as associações são significativas entre a inatividade física e a incidência de diabetes mellitus (p=0,02; OR=3,37), indicando um risco três vezes maior para o grupo P0. Conclui-se que a prática regular de atividade física constitui um determinante positivo na QV e um fator protetivo relevante contra comorbidades específicas, como o diabetes mellitus. Os resultados reiteram a necessidade de políticas públicas externas para o envelhecimento ativo e o papel dos profissionais de saúde na promoção e prevenção, associando medidas não farmacológicas.
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