Manifestações clínicas e laboratoriais da Mononucleose Infecciosa em crianças e adolescentes hospitalizados em hospital terciário

Palavras-chave: Criança, Adolescente, Mononucleose Infecciosa, Infecções por vírus Epstein-Barr

Resumo

Este estudo descreve o perfil clínico-laboratorial de 37 crianças e adolescentes (0-15 anos) hospitalizados por mononucleose infecciosa (MI) por Epstein-Barr vírus (EBV).  em um hospital terciário do sul do Brasil (2014-2024). Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob número CAAE 79100124.9.0000.5361. Dados retrospectivos de prontuários mostraram predominância do sexo masculino e faixa etária pré-escolar (2-6 anos), com tempo médio de internação de 5,2 dias. Os sintomas mais frequentes à admissão foram febre, linfadenopatia cervical e hiporexia. Complicações (derrame pleural, ascite, citopenias) ocorreram em 29,73% dos casos, com uma internação em UTI. Alterações sugestivas de MI no leucograma foram observadas em 70,27% dos pacientes e elevação de transaminases em 37,83%. Não houve óbitos. Os resultados destacam a variabilidade clínica da MI por EBV em pediatria, com potencial para complicações, reforçando a necessidade de monitorização. Estudos prospectivos são necessários para identificar preditores de gravidade e otimizar o manejo desses pacientes.

Biografia do Autor

Isabella Sousa Araujo, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Emanuela Rocha Carvalho, Universidade Federal de Santa Catarina

Docente assistente B2 pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina e médica infectologista pediátrica do serviço de infectologia pediátrica do Hospital Infantil Joana de Gusmão- Florianópolis -Santa Catarina. Atualmente é doutoranda no Programa de Pós Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal de Santa Catarina (2022). Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Médica Pediatra pelo Hospital Municipal São José de Joinville- Santa Catarina (2013). Residência Médica em Infectologia Pediátrica pelo Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (2017). Possuiu pós graduação Lato Sensu em Medicina Intensiva Pediátrica, Área de Conhecimento Saúde e Bem Estar Social pela Faculdade Redentor (2015). Possui Mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e Adolescente da UFPR com área de concentração em Infectologia Pediátrica (2019). É membro do grupo de Facilitadores de Manejo Clínico da Tuberculose na Infância e Adolescência do Programa Nacional de Controle da Tuberculose pelo Ministério da Saúde do Brasil. O qual, por meio de capacitações periódicas busca divulgar e multiplicar conhecimentos e trocar experiências que visam melhorar a assistência de crianças e adolescentes com tuberculose no país. Presta assessoria técnica para os casos de tuberculose de Crianças e Adolescentes em parceria com a Gerência em Tuberculose da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do estado de Santa Catarina. É médica referência em Genotipagem do HIV pelo Ministério da Saúde prestando consultoria em laudos de pacientes pediátricos do estado de Santa Catarina. Membro da Diretoria da Sociedade Catarinense de Pediatria. É membro do departamento científico de Infectologia Pediátrica da Sociedade Catarinense de Pediatria. Apresenta áreas de interesse em Saúde da Criança e Adolescência, Pediatria, Infectologia Pediátrica, Docência, Cooperação e Divulgação Científica, Educação Médica.

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Publicado
2026-03-04
Como Citar
1.
Araujo IS, Carvalho ER. Manifestações clínicas e laboratoriais da Mononucleose Infecciosa em crianças e adolescentes hospitalizados em hospital terciário. Revista de Saúde Pública do Paraná [Internet]. 4mar.2026 [citado 9mar.2026];9:e1101. Available from: http://revista.escoladesaude.pr.gov.br/index.php/rspp/article/view/1101
Edição
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Artigos originais