Auriculoterapia em uma Unidade Básica de Saúde do Sistema Único de Saúde

Palavras-chave: Auriculoterapia. Atenção Primária à Saúde. Saúde mental. Autocuidado.

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar percepções de usuários acerca da prática da auriculoterapia e assim trazer a discussão dessa oferta no serviço de saúde. Foi realizada uma pesquisa qualitativa, em Unidade Básica de Saúde que ofertava a auriculoterapia como tratamento complementar, de 2019 a 2020. Foram feitas entrevistas individuais, que foram transcritas e gravadas, com seis usuários, os quais realizaram o tratamento. Tal amostra foi definida por saturação, levando em consideração a assiduidade às sessões. A partir de quatro perguntas disparadoras, foi abordado sobre a procura pela auriculoterapia e percepções pós auriculoterapia. A análise dos discursos foi feita de forma a resultar em núcleos principais para discussão, obtendo entre eles: a expectativa e a experiência com a auriculoterapia. Concluiu-se que utilizando essa prática, além da amenização das queixas é possível construir um espaço de escuta acolhedora e desenvolvimento do autocuidado, resultando em melhora da qualidade de vida.

Biografia do Autor

Valquíria Moreira Zanetti, Universidade Federal do Paraná

Especialista em Saúde da Família pelo programa de pós-graduação Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade Federal do Paraná (UFPR) (2018/2020). Possui Graduação em Farmácia pela Universidade Federal do Paraná (2017). Durante a graduação participou de projetos de pesquisa como Iniciação Científica e projetos de extenção como PET-Saúde. Realizou também intercâmbio pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (PT) (2016). Farmacêutica responsável técnica (RT) na Farmácia Angeloni de 2020 a 2021. Atualmente realizando pós-graduação em Farmácia Clínica e Hospitalar pelo ICTQ e farmacêutica clínica e hospitalar no Hospital São Vicente em Curitiba.

Deivisson Vianna Dantas Santos, Universidade Federal do Paraná

Médico, Psiquiatra, Mestre e Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com período sandwich na Université de Montréal (UnM). Atualmente é Docente Adjunto do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Programa de Pós Graduação em Saúde da Família (PROFSAUDE) nesta mesma universidade. Possui MBA em Gestão em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trabalhou na supervisão e gestão em diversos equipamentos de saúde de Campinas-SP (2005 a 2013) e já ocupou o cargo de coordenador de saúde mental neste município (2009-2011). Tambem, coordenou a municipalização e reestruturação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Curitiba-PR (2014-2017). Tem experiência nas áreas de reabilitação psicossocial, planejamento e administração em saúde, com ênfase em Gestão de Linhas de Cuidado, Atenção Primaria e Saúde Coletiva.

Sabrina Stefanello, Universidade Federal do Paraná

Médica Psiquiatra, Mestre e Doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. Pós-doutorado em Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e Pós-doutorado no Departamento de Artes e Ciências Sociais da Universidade de Montreal (Quebéc-Canadá). Tem experiência em pesquisa, reabilitação e inclusão social de egressos de hospitais psiquiátricos, em prevenção do suicídio e ensino de psiquiatria. Atua como professora da Universidade Federal do Paraná, membro do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), orienta alunos da graduação, pós-graduação, com projeto de extensão voltado para redução do estigma e estímulo à cidadania na área de saúde mental. Mãe do Gael em 2015.

Referências

1. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Formação em auriculoterapia para profissionais de saúde da Atenção Básica. [Internet]. Florianópolis, SC: Ministério da Saúde; 2018. [citado em 2019 dez 21]. Disponível em: https://auriculoterapiasus.ufsc.br/.
2. Merhy EE. Em busca do tempo perdido: A micropolítica do trabalho vivo em saúde. 1a ed. São Paulo: Hucitec; 1997.
3. Faqueti A. Medicinas alternativas e complementares na Atenção Primária à saúde: perspectiva de usuários em Florianópolis/SC [Dissertação]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina; 2014.
4. Santos DVD. A gestão autônoma da medicação: da prescrição à escuta [Tese]. Campinas (SP): Faculdade de Ciências Médicas; 2014.
5. World Health Organization (WHO). The World Medicines Situation 2011 Tradicional Medicines: Global Situation, Issues and Challenges. [Internet] Geneva: WHO, 2011. [citado em 2018 dez 21]. Disponível em: https://www.who.int/medicines/areas/policy/world_medicines_situation/WMS_ch6_wPricing_v6.pdf.
6. Brasil. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2015. [citado em 2018 dez 21]. Disponível em: http://cnes.datasus.gov.br/.
7. Brasil. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC). [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2015. [citado em 2019 nov 20]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf.
8. Vieira ARS. Efeito da acupuntura auricular na ansiedade de estudantes universitários antes da época de exames [Dissertação]. Porto (PT): Universidade do Porto; 2013.
9. Lao L, Ezzo J, Berman BM, Hammerschlag R. Avaliação da eficácia Clínica da Acupuntura: considerações para o desenho de futuras pesquisas em acupuntura. In: Stux G, Berman B, Pomeranz B. Basics of Acupuncture. 5ed. Berlin: Springer; 2005. p. 207-32.
10. Diaz Ontivero CM. Papel de la Auriculoterapia en el manejo de las enfermedades crónicas no transmisibles en la comunidad. Cuba; 2006 [acesso em 2013 ago 20]. Disponível em: http://www.monografias.com/trabajos41/ auriculoterapia/auriculoterapia.shtml.
11. Kurebayashi LFS, Silva MJP. Eficácia da auriculoterapia chinesa para o estresse em equipe de enfermagem: ensaio clínico randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem maio-jun. 2014;22(3):371-8 [acesso em 2020 nov 16]. DOI: 10.1590/0104-1169.3239.2426
12. Fontanella BJB, Magdaleno JR. Saturação teórica em pesquisas qualitativas: contribuições psicanalíticas. Psicologia em Estudo (Maringá). 2012 jan./mar.; 17(1): 63-71.
13. Turato ER. Métodos qualitativos e quantitativos na área da saúde: definições, diferenças e seus objetos de pesquisa. Rev Saúde Pública (Campinas). 2005 jun.; 39(3): 507-514.
14. Flick U. Designing Qualitative Research. [Internet]. London, New Delhí and Singapore: SAGE, 2008. [acesso em 21 dez 2018]. Disponível em: file:///home/chronos/u-db77553bda9d0aa143b879bbdc14e76b6c1dd70d/MyFiles/Downloads/Flick_Designing_qualitative_research.pdf.
15. Ricoeur P. Interpretação e ideologias. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1990.
16. World Health Organization (WHO). The World Health Report 2001: mental health new understanding, new hope. [Internet]. Geneva: WHO; 2001. [citado em 2019 nov 21]. Disponível em: https://www.who.int/whr/2001/en/whr01_en.pdf?ua=1.
17. Steel Z, Marnane C, Iranpour C, Chey T, Jackson JW, Patel V, et al. The global prevalence of common mental disorders: a systematic review and meta-analysis 1980-2013. Int J Epidemiol. 2014 apr.; 43(2): 476-493.
18. Araújo TM, Pinho OS, Almeida MMG. Prevalência de transtornos mentais comuns em mulheres e sua relação com as características sociodemográficas e o trabalho doméstico. Rev Bras Saúde Matern Infant. (Recife) 2005 jul./set.; 5(3): 337-348.
19. World Health Organization (WHO). UNFPA. Mental health aspects of women’s reproductive health: a review of the literature. [Internet]. Geneva: WHO Press; 2009. [citado em 2019 nov 20]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43846/9789241563567_eng.pdf;jsessionid=8BE1E4F674B86EC0BCECA5A423D48B21?sequence=1.
20. Levorato CD, Mello LM, Silva AS, Nunes, AA. Fatores associados à procura por serviços de saúde numa perspectiva relacional de gênero. Rev. Ciênc. saúde coletiva. Rio de Janeiro [Internet]. 2014 [acesso em 2019 dez 02]; 19(4). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232014000401263
21. Campos IO, Ramalho WM, Zanello V. Saúde mental e gênero: O perfil sociodemográfico de pacientes em um centro de atenção psicossocial. Estud. psicol. Natal. [Internet]. 2017 [acesso em 2019 dez 02]; 22(1). Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2017000100008
22. Morais KKR, Pereira RS, Amaral FMFR, Costa KAR. Auriculoterapia: Percepção dos Usuários em um Serviço Público de Divinópolis (MG). Rev Bras Terap e Saúde. 2019; 10(1): 15-20.
23. Pelicioni MCF, Ischkanian PC. Desafios das Práticas Integrativas e Complementares no SUS visando a Promoção da Saúde. Rev. Brasileira de Crescimento Desenvolvimento Humano. 2012 dez.; 22(2): 233-238.
24. Fertonani HP, Pires DEP, Biff D, Scherer MDA. Modelo assistencial em saúde: conceitos e desafios para a atenção básica brasileira. Saúde coletiva. 2015; 20(6): 1869-1878.
25. Brasil. Portaria nº 122, de 6 de julho de 2012. Criação da Política Municipal de Práticas Integrativas e Complementares. [Internet]. Recife, PE: Secretaria Municipal de Saúde; 2012. [citado em 2019 nov 20]. Disponível em: https://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/2016/page/pmpic_recife.pdf.
Publicado
2021-08-18
Como Citar
1.
Zanetti VM, Santos DVD, Stefanello S. Auriculoterapia em uma Unidade Básica de Saúde do Sistema Único de Saúde. Revista de Saúde Pública do Paraná [Internet]. 18ago.2021 [citado 24out.2021];4(2):90-3. Available from: http://revista.escoladesaude.pr.gov.br/index.php/rspp/article/view/522
Seção
Artigos originais